Chegou a hora de falar sobre o câncer de mama.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é, entre mulheres, o segundo mais frequente no Brasil.

59 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados por ano.

Um simples toque pode ajudar no diagnóstico precoce da doença aumentando as chances de êxito no tratamento.

Foi na prevenção anual que Socorro Neres descobriu o nódulo. Ao mostrar os exames veio o diagnóstico. “Nossa! Foi a pior coisa que já ouvi na minha vida. Fiquei em estado de choque. Medo de morrer, sentimento de revolta. Foi desesperador.”

Socorro não tinha histórico de casos de câncer na família. Para ela a situação foi muito nova. O câncer foi agressivo, mas isso não limitou Socorro. Ela aceitou a situação e encarou o tratamento com tranquilidade, apesar dos desafios. O maior deles foi a perda dos cabelos. “Foi muito difícil”, destaca. Ela precisou passar por sessões de quimioterapia para tratar da doença e o processo do tratamento fez com que os cabelos caíssem.

Hoje, 5 anos depois, Socorro reconhece a importância do autoexame e do diagnóstico precoce para a cura. “É muito importante fazer o autoexame. Devemos conhecer o nosso corpo, procurar um médico quando suspeitar de alguma coisa, fazer os exames com regularidade. O diagnóstico precoce é importante para a cura. Graças a Deus, descobri logo e estou curada. Eu creio.”, conclui.

Conversamos com Leandro Lacerda, mastologista do Hospital Haroldo Juaçaba (HHJ), Instituto do Câncer do Ceará, e ele destaca que o autoexame é muito importante, mas não substitui o exame mamográfico e a consulta com o especialista.

ENTREVISTA

FALA, LEANDRO LACERDA.

“Diagnóstico precoce requer a população alerta para os sinais e sintomas suspeitos; profissionais de saúde capacitados para avaliar os casos suspeitos; e sistemas e serviços de saúde preparados para garantir a confirmação diagnóstica oportuna e com qualidade. Com isso, os índices de cura passam dos 95%.”

 Mastologista do Hospital Haroldo Juaçaba (HHJ), Instituto do Câncer do Ceará

Sobrancelhas.com: O corpo dá sinais de que algo não está funcionando bem?

Leandro Lacerda: Sim. O corpo humano sempre que tem alguma alteração em seu funcionamento, ele responde em forma de sinais e sintomas. No caso do câncer de mama a principal manifestação é a palpação de um nódulo suspeito na mama, em alguns casos, acompanhado com mastalgia (dor mamária) e descarga papilar (saída de secreção pela papila, fora da gestação e do puerpério).

Sobrancelhas.com:  Qual a incidência do câncer de mama?

Leandro Lacerda: No mundo, o câncer de mama está em 2º lugar de incidência com quase 1.7 milhões de pessoas. Para o Brasil, estimam-se 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente nas mulheres das Regiões Sul (73,07/100 mil), Sudeste (69,50/100 mil), Centro-Oeste (51,96/100 mil) e Nordeste (40,36/100 mil). Na Região Norte, é o segundo tumor mais incidente (19,21/100 mil).
*Fonte: INCA

Sobrancelhas.com:  Se for descoberto de forma precoce, qual a probabilidade de cura?

Leandro Lacerda: Diagnóstico precoce requer a população alerta para os sinais e sintomas suspeitos; profissionais de saúde capacitados para avaliar os casos suspeitos; e sistemas e serviços de saúde preparados para garantir a confirmação diagnóstica oportuna e com qualidade. Com isso, os índices de cura passam dos 95%.

Sobrancelhas.com:  A partir de qual idade e com qual frequência as mulheres devem realizar exame de mama?

Leandro Lacerda: O exame de mamografia pelo Ministério da Saúde deve ser realizado anualmente a partir dos 50 anos como rastreio. Existem outras escolas como a Sociedade Brasileira de Mastologia que preconiza o rastreio anual a partir dos 40 anos e, se a paciente for de alto risco, a partir dos 30 anos anualmente. Intercalar a cada seis meses com ressonância magnética. Em caso de impossibilidade de realizar ressonância, pode-se associar a ultrassonografia.

Não esqueça a importância do autoexame e da prática das consultas regulares.

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